Fumeiro
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Rua Donceição da Glória, nº 25-27 Desde 93 que Justino se juntou ao irmão, Serafim, neste "Fumeiro". Nome que, "antes de nós tinha pouca correspondência com a realidade", frisa, orgulhoso da obra feita. Entretanto, as leis rigorosas da modernidade, obrigaram à retirada dos muitos enchidos que decoravam o tecto. Mas em matéria de decoração ainda ficou muito para apreciar. Mas o melhor está guardado dentro das ementas e na cozinha. Origens de confiança, que se aliam às capacidades de cozinheiro no apuro de sabores, para tentações como a lagarada de bacalhau (broa de milho, grelos, muito azeite e alho), a chanfana à Fumeiro (carne de cabra velha amaciada em vinho e alho e cozida neste néctar), a vitela à moda de Lafões (nacos estufados, com batatas salteadas, migas e legumes ou batata), o arroz de pato, o arroz de polvo, as pataniscas de bacalhau. Por seu turno, na versão forno a lenha saem outras iguarias de gabarito, como o cabrito, o lombo de porco, a vitela… Todos estes pratos podem surgir como sugestões do dia, com preços entre os 7 e os 8 euros.
Tel.: 21 347 42 03
O luminoso painel de azulejos retratando a desmancha do porco numa cozinha típica de paisagens rurais retrata bem a transparência e a tradição que esta casa desde há muito oferece.
O estabelecimento não abdica da qualidade das matérias-primas usadas e da riqueza dos cozinhados executados de uma forma que não vai emmodas, mesmo que seja assumido o redimensionamento da ementa por força dos tempos difíceis que correm. Franco e genuíno como os produtos que tem na apetitosa montra -feita de queijos e enchidos de Lamego e da Serra da Estrela, bemcomo pela fina flôr dos vinhos portugueses - o homem do leme deste legítimo representante da gastronomia beirã não esconde que as sugestões do dia surgiram precisamente nesse enquadramento. "Claro que há pratos que não se podem fazer sem ter a garantia mínima de um determinado número de pessoas à mesa, mas se houver uma reserva tudo se faz… e bem feito", sublinha Justino Cardoso, 37 anos de vida repartida entre a terra natal perto de Lamego e a Suíça, para onde foi trabalhar na hotelaria.
Nas entradas, as estrelas são, como não podia deixar de ser, o misto de enchidos daquela abençoada área geográfica - a morcela, a farinheira, a linguiça de vinha de alhos, a moira típica), um prato de presunto, salpicão, linguiça e os queijos, ou, ainda, o requeijão de Seia.
Nas sobremesas fazem figura o leite-creme caseiro e queimado ao momento, o arroz doce à moda da Serra da Estrela (sem ovos), ou o requeijão com doce de abóbora ou mel e noz.
Por estas e por outras é que Jacinto Cardoso tem um livro cheio de assinaturas de ilustres do desporto, política e cultura. As mesmas boas razões que levam a que lhe apareçam turistas com recortes de jornais estrangeiros e guias gastronómicos onde o Fumeiro brilha sem que os irmãos Cardoso saibam como lá foram parar. Elementar, meu caro Justino…
Fonte: Jornal da Região 24 a 30 de Outubro de 2006
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