Junta de Freguesia de São José




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Cabaret Maxime

Cabaret Maxime

Praça da Alegria, 58


Cabaret Maxime – Um Moulin Rouge à portuguesa

Nas décadas de 50 e 60 apresentou-se como uma das casas de espectáculos mais bem frequentadas de Portugal… “Um cabaret” de luxo que recebeu, durante a sua época áurea, com toda a pompa e circunstância, a alta sociedade de um País governado por um regime de “pouca cor e festividade”.

Personalidades como o Rei de Espanha eram presenças habituais num espaço “que era único em terras lusitanas”. Tony de Matos, Raul Solnado (estreia-se profissionalmente nesta casa em 1952, com o espectáculo “Sol da Meia-Noite” uma produção de José Viana onde também participou a artista Gina Braga), Simone de Oliveira e Max foram alguns dos artistas que “encantaram”, durante várias noites, uma casa onde o Glamour era marca obrigatória.

Com a revolução dos Cravos, em 1974, o mítico Cabaret Maxime sofreu algumas mutações, e a sua degradação, anos após anos, foi inevitável, tornando-se mais tarde numa casa de alterne, ligada ao sub-mundo da protistuição.

   


Em Janeiro de 2006, a histórica casa da Praça da Alegria “renasce das cinzas” para ocupar um lugar de destaque na agenda dos noctívagos “alfacinhas”… e não só.

Gerido por Bö Bcström e pelo divertido Manuel João Vieira, líder dos Ena Pá 200 e dos Irmãos Catita, o actual Maxime tenta afigurar-se cada dia com uma programação de luxo.

“Quisemos fazer uma coisa diferente. Trazer bandas portuguesas, dar oportunidades a novos grupos, proporcionar o lançamento de DVD’s.

Em suma, dar ao público um espectáculo diversificado”, explica Jorge Antunes, assessor/consultor da casa.


     


Jorge Palma, Dead Combo, Zé Cabra, Susana Félix, foram alguns dos músicos que já actuaram na reformulada casa de espectáculos. Porém, desde a sua reabertura, um dos momentos únicos, recordado por Jorge Antunes, foi a actuação de José Cid. Numa plateia constituída por muitas figuras públicas, e acima de tudo por muita gente jovem, o auto-intitulado “pai do rock português”, sozinho com o seu piano, tocou os seus maiores êxitos com a ajuda do público, que desde cedo se mostrou participativo, cantando letras que muitos nem sabiam que conheciam, como se estivessem perdidas no seu subconsciente. “Foi um êxito… nunca esperei que pessoas de 30/35 anos participassem tão efusivamente no espectáculo dado pelo José Cid”, conta o assessor.

Mas, como seria de esperar, são os Irmãos Catita e os Ena Pá 2000, “com o seu jeito controverso e com um pouco de loucura à mistura”, que arrastam um maior número de adeptos para um espaço que já é considerado como uma “instituição”.

Além do espectáculo, o Maxime aposta em oferecer diversidade aos clientes que o visitam. “À quarta-feira exibimos sempre um filme e realizamos vários workhops ligados ao teatro, à dança e outras áreas. Tentamos também ser palco de eventos relacionados com a moda, como foi o caso da passagem de modelos da Ana Wilson, na última terça-feira e ceder o espaço para lançamento de livros”, revela Jorge Antunes.

“Life is cabaret, old chum”...
“Bem-vindos ao Cabaret Maxime”…. A saudação efusiva acompanhada por uma vénia pouco usual é feita logo à entrada por um “porteiro très original”. Com um chapéu na cabeça e com um fato preto, reporta-nos para um cenário hollywadesco… Ao colocarmos o pé naquela renovada casa somos transportados para outra realidade: Com uma decoração sui generis, preservando o ambiente dos genuínos cabarets, os vermelhos e pretos são uma constante, dando àquele espaço uma pitada de Moulin Rouge à portuguesa.

     


Antigos vinis forram as paredes do corredor… O espaço escuro é iluminado por lamparinas de luz encarnada dispostas pelas mesas que aos poucos se vão enchendo de “nocturnos”, prontos a esquecer mais um dia de cansaço. As conversas sussurram pelo o amplo espaço enquanto se aguarda por mais um momento melodioso. A cortina de veludo vermelha que “esconde” os artistas finalmente é recolhida, onde o palco é “abalroado” pelos “inigualáveis” Irmãos Catita.

Alegria, risos, palhaçadas e muita boa disposição espalham-se por todos os recantos. Já pela madrugada, os últimos sobreviventes abandonam a casa de espectáculos, levando na memória uma noite bem passada e no pensamento a ideia de voltarem… Quem sabe já amanhã. “Life is cabaret, old chum”... e o Maxime revive esta máxima!
Fonte: Notícias da Manhã 2 de Junho de 2006 
 

 



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