Relógio de Sol do Hospital dos Capuchos
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Hospital dos Capuchos
Alameda Stº António dos Capuchos
Autocarros: 23, 30 e 33
O Hospital dos Capuchos tem, talvez, o mais antigo exemplar conhecido em Portugal de um relógio de Sol (1586).
No chamado "Pátio do Relógio" stua-se a antiga cisterna do convento, cuja boca tem cerca de 1 metro de altura e forma octogonal, e no topo da qual foi colocado um relógio de sol em pedra, onde está gravada a data de 1586 e as iniciais do construtor, e que pertencia à cerca do Convento.
A boca da cisterna encontra-se revestida de azulejos azuis e brancos, provavelmente da 2ª metade do século XVIII, cuja decoração é composta por medalhões, no centro dos quais estão ramos de lírios, e por rica ornamentação rocaille de volutas, concheados, anjinhos e "asas de morcego".
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É uma peça arquitectónica independente, de boa execução, e tem três quadrandes diferentes:
1 - Quadrante horizontal;
2 - Quadrante vertical, meridional, sem declinação;
3 - Quadrante equinocial, setentrional.
O quadrante horizontal, é iluminado sempre que o sol esteja acima do horizonte, isto é, desde o seu nascimento até ao seu ocaso.
O quadrante vertical nunca é iluminado mais de 12 horas, máximo tempo que se verifica nos equinócios, a 21 de Março e a 23 de Setembro.
De 21 de Março a 21 de Junho, o tempo de iluminação dimunui, sendo na última data apenas cerca de 8 horas, das 8 da manhã às 4 da tarde; de 21 de Junho até 23 de Setembro vai aumentando, atingindo o máximo do seu valor em 23 de Setembro e depois diminui até 22 de Dezembro em que o período de iluminação decorre desde cerca das 7 horas e 30 m da manhã às 4 hoas e 30 m. da tarde. Aumenta depois até 21 de Março, repetindo-se o ciclo já descrito.
O relógio equinocial setentrional é iluminado apenas no período que decorre de 21 de Março até 23 de Setembro. De 23 de Setembro a 21 de Março, lapso de tempo em que o Sol está no hemisfério Sul, o quadrante não é iluminado.
Devemos notar que as horas a que nos referimos, são as horas solares ou verdadeiras e não as horas legais.
Lamentavelmente encontra-se em mau estado de conservação, e colocado num pátio sombrio actualmente rodeado de edifícios.

A construção destes instrumentos constitui uma aplicação da Trignometria, ramo da matemática que se ocupa do estudo das relações entre os lados e ângulos de triângulos planos e esféricos, permitindo assim medir distâncias inacessíveis.
A interdisciplinaridade que os relógios de sol originam - arquitectura, astronomia, história, matemática - torna-os instrumentos privilegiados para a divulgação científica. Os relógios de sol constituem uma das primeiras aplicações do conhecimento do movimento aparente do sol e do uso das sombras. São instrumentos que determinam as divisões do dia através do movimento da sombra de um objecto, o gnómon, sobre o qual incidem os raios solares e que se projecta sobre uma base graduada, o mostrador.
Consoante a sua posição, os relógios de sol têm denominações diferentes. Os modelos mais comuns, tanto em peças isoladas como integrados em edíficios, são os relógios de sol equatoriais, os verticais e os horizontais.
Em todos eles, o gnómon deve estar paralelo ao eixo da Terra, pois dessa forma a direcção da sombra não depende das estações do ano, mas apenas da hora solar.
A marcação das horas num relógio de sol raramente coincide com as horas assinaladas por um relógio mecânico. Em primeiro lugar é necessário ter em conta os ajustes horários de verão e de inverno: caso se esteja na hora de verão, é necessário adicionar uma hora às horas indicadas pelo relógio de sol. Como o tempo legal está organizado em fusos de 15º onde a hora legal é constante, a hora dada pelo relógio de sol necessita ser corrigida de acordo com o meridiano de referência do fuso horário do local em que se encontra. Em Portugal, o meridiano de referência é o Meridiano de Greenwich. Então, por cada grau de longitude Oeste adicionam-se 4 minutos (porque cada hora corresponde a 15º, logo, a 4 minutos corresponde 1º) e por cada grau de longitude Este subtraem-se 4 minutos.
É necessário também ter em conta que, como o movimento de translação da Terra não é perfeitamente uniforme, os dias solares não têm sempre a mesma duração. A hora dada pelo relógio de sol adiamta-se e atrasa-se ao longo do ano em relação à hora legal, sendo essa variação descrita pela chamada equação do tempo. Consoante o dia e o mês do ano, essas variações podem originar atrasos e avanços de cerca de um quarto de hora. Por exemplo, no dia 27 de Junho regista-se um atraso de cerca de três minutos, quantidade essa que deverá ser adicionada à hora dada pelo relógio de sol.
Fonte: Luzboa, A arte da luz em Lisboa. Extramuros Dezembro 2004; Olisipo, Boletim Trimestral do Grupo Amigos de Lisboa, Ano XXV - Nº 100 Outubro de 1962; e História e Azulejos, dos Hospitais Civis de Lisboa de A. J. Barros Veloso e Isabel Almasqué.
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