Junta de Freguesia de São José




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Jardim do Torel

Jardim do Torel

Rua Júlio de Andrade
Aberto todos os dias das 7 às 19 horas
Autocarros: 23, 30

Elevador do Lavra

Jardim originário de uma quinta do inicio do século XVIII, que possui um magnifico tanque ornamental de forma oval, rodeado por dois lanços de escadaria, e uma grande varanda miradouro, cuja grade é sustentada por dez pilares de cantaria.

O Jardim do Torel está situado no alto de uma das sete colinas de Lisboa, junto do elevador do Lavra, de onde se vislumbra uma magnificente panorâmica da Freguesia e da cidade de Lisboa.


O seu nome deriva do desembargador Cunha Thorel, o mais rico proprietário da zona, que habitava um palácio no actual espaço do jardim.


Em Janeiro de 1928 o terreno do palácio foi cedido á Câmara Municipal de Lisboa que aí construiu o jardim e o miradouro, do qual se observa uma deslumbrante vista da parte ocidental de Lisboa, nomeadamente da Av. da Liberdade e da Colina de S. Roque, sobre o vale da Avenida e das colinas de S. Pedro de Alcântara e o Príncipe Real.


O espaço envolvente a este jardim é rico em numerosos exemplares de moradias nobres dos séculos XVIII e XIX.

Em 2000 o Jardim do Torel foi alvo de uma intervenção de requalificação e restauro, que surgiu em consequência da necessidade de reparação do sistema de drenagem pluvial do jardim, que, não recolhendo convenientemente as águas que se infiltravam nos maciços, punha em risco a estabilidade dos muros que suportam o jardim.


A intervenção no jardim foi uma obra estrutural de envergadura exigindo acompanhamento e monitorização por parte do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, tendo sido realizadas ao mesmo tempo, pela Câmara Municipal de Lisboa, obras de restauro de que o jardim necessitava há muito.


Nessa intervenção foi construído um novo sistema de drenagem, na construção de uma rede de rega, na recuperação dos lagos incluindo instalação de bombas para a recirculação de águas, na remodelação dos canteiros ajardinados e na reparação dos bancos, gradeamentos, portões e cantarias.


A obra incluiu ainda a instalação de um novo sistema de iluminação pública, composto por iluminação de presença e decorativa, possibilitando que de outros locais da cidade, o Jardim do Torel seja mais um ponto de interesse panorâmico na noite de Lisboa.

 Embora das 8 espécies arbóreas identificadas apenas a presença de uma tamareira, considerada Exemplar ùnico ou Raro, mereça um relevo especial, a localização confere-lhe uma característica muito peculiar, já que permite observar ao nível da copa várias árvores pertencentes a um quintal particular anexo, situação que não é muito comum.

O movimento significativo de pessoas e o diminuto espaço acarretam uma diversidade avifaunística baixa (9 espécies observadas), com clara dominância do pardal-comum.

O movimento significativo de pessoas e o diminuto espaço acarretam uma diversidade avifaunística baixa (9 espécies observadas), com clara dominância do pardal-comum.

 

O movimento significativo de pessoas e o diminuto espaço acarretam uma diversidade avifaunística baixa (9 espécies observadas), com clara dominância do pardal-comum.


Porque se chama Jardim do Torel*
Desde o rio Tejo até aos altos de Campolide, tudo dali se avista. Zona de vivendas apalaçadas ficou conhecida por albergar a antiga PJ.

SantAna (ou dos Mártires da Pátria, para falar com exactidão) ou do elevador do Lavra, passa a Rua Júlio de Andrade, a das vivendas atractivas, que, por sua vez, dá ligação à Travessa do Torel.



Quem procurar um pouco, sem grande trabalho encontrará um portão de ferro que dá acesso a um jardim que, sem exagero, será dos mais mimosos e donos de mais belo panorama em Lisboa. As placas assinalam-no como Jardim do Torel. Vale a pena entrar, percorrê-lo (a parte correspondente ao jardim propriamente dito é de pequena extensão), escolher um banco e olhar a parte ocidental de Lisboa vista daquele miradouro verde.

Este nome de Torel traz consigo uma auréola dificilmente explicável: tem perdurado através dos tempos, indiferente a modificações e modas. Lisboa, aliás, é assim: ou não resiste a mudanças (mesmo quando estas não venham muito a propósito) ou faz finca-pé num nome tradicional e deixa que ele permaneça, mesmo quando já pouco ou nada tem a ver com o local. Para demonstrar a última asserção, vejam-se alguns exemplos: ninguém liga grande importância ao senhor D. Pedro IV e o seu largo continua a ser o Rossio; apesar da ordem do Marquês de Pombal, a Praça do Comércio continua a ser menos conhecida pelo seu nome oficial do que pela vulgar designação de Terreiro do Paço; ao Areeiro ninguém chama Praça Sá Carneiro, por maior que seja o respeito pelo antigo primeiro ministro…

Ora deu-se o caso de o desembargador Francisco Xavier da Cunha Thorel - apelido de origem francesa e talvez descendente do nome italiano Torelli - ter mandado edificar o seu palacete no cimo da colina de SantAna.
Sucedeu isto em pleno século XVIII, no reinado de D. João V. E o caso é que, apesar de muitos outros moradores por lá terem passado, ainda hoje o local (jardim incluído) continua a ser conhecido pelo sítio do Torel.



Mestre Júlio de Castilho pesquisou este nome e encontrou um Marcos António Thorel, que terá sido o pai de José António e do já referido Francisco Xavier. Há também notícia de outros dois irmãos, Francisco António e João Caetano Thorel, cavaleiros de Cristo. Para a toponímia lisboeta, porém, interessa sobretudo o citado desembargador.

O palacete de Torel veio a ter outros proprietários, como as famílias Sanches de Baena ou Mendoça. Foi, aliás, na época em que a casa pertenceu a esta família, já no século XIX, que se deu um incêndio que teve alguma coisa de insólito. Residia ali Nuno José Severo de Mendoça Rolim de Moura Barreto, nada menos que o primeiro Duque de Loulé. Deflagrou na casa um fogo de grandes proporções, dando azo a alarme geral e a toque desesperado de sinos a rebate.

Quando muitos dos amigos do duque chegaram ao que restava da residência, encontraram o dono da casa no pátio, fumando placidamente um charuto e assistindo aos espectáculo das chamas a consumirem mobílias, quadros, livros, objectos de toda uma vida… Nada podendo fazer, o fidalgo conformava-se - e recebia as visitas como se de uma recepção se tratasse.

Outra casa surgiu no mesmo lugar, sem que o povo deixasse de chamar Torel ao local. O Estado acabou por comprar o imóvel nos anos 20 do século passado e ali colocou os serviços da Polícia de Investigação Criminal, antecessora da Polícia Judiciária. A partir de então, "ir ao Torel", "ser chamado ou levado ao Torel", não eram expressões de bom agouro para os alfacinhas. Torel passou a ser sinónimo de Polícia. E a tal ponto a expressão estava enraizada que, quando a Judiciária mudou as suas instalações para a Rua Gomes Freire, se passou a falar do "Torel novo"…

Como se disse, a toponímia acabou por fixar o nome do desembargador setecentista numa travessa e no jardim que nos ocupa. Este, insiste-se, é digno de visita, constituindo um miradouro que rivaliza com o de S. Pedro de Alcântara, que lhe é fronteiro, do outro lado do vale da Avenida. Desde o Tejo até aos altos de Campolide, tudo dali se avista, numa cinemascópica amostra daquela zona da cidade.

A calma dominante contrasta com a agitação dos veículos que se vêem correr lá em baixo.

De resto, tudo muito simples: uma estatuazinha de uma egípcia graciosa acolhe o visitante à entrada, sobrepondo-se a um tanque que já teve melhores dias (está irremediavelmente seco). Lá no meio, um busto do pianista Viana da Mota parece buscar a inspiração naquele oásis. Quem quiser sair por outro lado, poderá descer a escadaria que conduz à Rua do Telhal. Verá com prazer uma escola que funciona. E verá com pena um enorme tanque ornamentado por esculturas - que está sem préstimo.

Em resumo: o Torel continua a prender gente. Só que, modernamente, não o faz já pela força policial, mas antes pelo encantamento de um jardinzinho modesto, dono de um miradouro fascinante.
Appio Sottomayor

*Fonte: Jornal da Região, 29 de Maio a 4 de Junho de 2006



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Mascarilha
Mascarilha
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